Recife, 21 de junho de 2018

Após questionamento de Priscila Krause, Geraldo Julio devolve R$ 30,2 milhões da propaganda para obras nos morros

Foto: Mariana Carvalho

Um mês após a deputada estadual Priscila Krause (DEM) questionar na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco dois decretos assinados pelo prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), que transferiam R$ 50 milhões do orçamento reservado a obras em espaços de interesse público em prol de gastos com políticas de comunicação e marketing, dois novos decretos também assinados pelo prefeito devolveram ao orçamento de obras – especificamente em áreas de risco, como os morros – R$ 30,2 milhões. O primeiro deles, de 18 de maio, repôs R$ 10,2 mihões, enquanto o segundo, datado de 11 de junho, somou transferência de recursos no montante de R$ 20,0 milhões.

Na ocasião do questionamento, Priscila Krause enviou ofício ao Ministério Público de Contas (MPCO) para que, no exercício das suas funções e julgando cabível, avaliasse os atos da gestão municipal, bem como protocolou, via Lei de Acesso à Informação (LAI), pedido de informações direcionado ao gabinete do prefeito. Apesar do termo final do prazo de resposta de acordo com a LAI ter se esgotado, a Prefeitura ainda não se pronunciou. O líder do governo municipal Geraldo Julio, vereador Eriberto Rafael (PTC), defendeu a gestão e afirmou que Priscila havia cometido “erro na leitura de dados” referentes aos decretos.

Para Priscila Krause, os dois decretos que revertem mais da metade da realocação de verbas que prejudicavam o orçamento de obras estruturais para a cidade retomam o caminho correto da prioridade de gastos que deve guiar uma gestão como a do Recife. “Qualquer gestão usa a comunicação para informar os cidadãos sobre as melhorias na cidade e, principalmente, educar, formar cidadãos, é normal, o problema é que em pleno ano eleitoral o prefeito retirar R$ 50 milhões de obras estruturadoras para um gasto que não é emergencial realçou a insensibilidade com os mais pobres e acendeu nosso alerta sobre indícios de uso da máquina. Com esses dois novos decretos, reverte-se boa parte do retrocesso”, comemorou a deputada.

Outro questionamento levantado pela parlamentar, ainda não esclarecido, diz respeito à fonte dos recursos em questão. Ao contrário da prática, quando os gastos com comunicação são bancados com recursos arrecadados pela própria gestão, as suplementações que somavam R$ 50 milhões em benefício dos gastos com marketing eram baseadas na fonte de recursos externos, ou seja, viabilizadas por meio de convênios. No discurso, em maio, Priscila também afirmou que “era preciso que a administração explicasse se iria fazer propaganda com dinheiro de convênio”.

 

Postado por Priscila Krause às 15:30:46
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