Recife, 11 de junho de 2014

Prefeito transfere R$ 5,9 milhões da restauração e preservação de bens culturais para shows no Recife; Verba seria utilizada na reabertura do Parque

O prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), decretou a transferência de R$ 5,9 milhões previstos inicialmente para a “restauração, preservação e aquisição de bens culturais” em benefício da realização de shows e eventos culturais (promoção de eventos e festividades culturais e folclóricas). A alteração no orçamento da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) aconteceu a partir de dois decretos assinados em dois e quatro de junho (decretos 27.997 e 28.003, respectivamente).

A informação foi divulgada por meio de pronunciamento da vereadora Priscila Krause (DEM), na tarde desta quarta-feira (11) na tribuna da Câmara do Recife. Vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Casa, Priscila acompanha diariamente as movimentações financeiras do caixa municipal. Ela criticou a decisão e lembrou que os recursos subtraídos seriam utilizados nas obras de restauração do Teatro do Parque.

“É preciso que esse assunto seja trazido à tribuna para que a sociedade recifense saiba de que forma a cultura está sendo gerida na cidade, com uma completa inversão de prioridades. A gestão diz ter o compromisso de reabrir o Teatro do Parque, mas na prática subtrai recursos que pagariam a obra em troca da realização de shows. É o mesmo caminho que fez a gestão anterior, o caminho do erro. Se o prefeito teve a coragem de peitar a Fifa, para não fazer a Fan Fest, ato acertadíssimo, vai na contramão agora beneficiando shows em detrimento de patrimônios como o Teatro do Parque, que está caindo aos pedaços”, afirmou.

Priscila ainda lembrou que tentou, no final de 2013, aprovar emenda de sua autoria engordando o orçamento para restauração e preservação no âmbito da FCCR em R$ 8 milhões, mas foi derrotada. O orçamento aprovado previa, na Fundação, R$ 51 milhões para os eventos e R$ 6 milhões para restauração e preservação. “Não bastasse a peça orçamentária, tornam a secar a fonte da preservação cultural. Daqui a pouco não sobrará um centavo sequer”, concluiu.

 

Postado por Priscila Krause às 15:42:31
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